Posts de Daiany Gomes
17 de fev de 2016

Tô te tirando de mim

Sim. É isso mesmo o que você escutou. Tô te tirando de mim. Arrancando cada pedacinho de você do meu peito e deixando apenas a bagunça que você causou. E que bagunça, hein? Tudo bem que meu peito não era um exemplo de arrumação, mas eu passei um bom tempo colocando a casa em ordem. E aí você apareceu. E eu te recebi como a melhor anfitriã do mundo. Ok, pelo menos a melhor que eu conseguia ser. Deixei que se sentisse em casa e se acolhesse em meu coração. Não disse que te queria ali sempre, mas nas minhas ações você já tinha percebido isso.

Créditos: Pixabay

Créditos: Pixabay

Você aproveitou a estadia e ficou um bom tempo. Tivemos grandes momentos, e eu os espalhava pela casa em forma de porta retratos. Ela estava mais colorida e mais feliz com seu rosto.

Mas então eu quis conhecer como era seu cantinho também. Ver se estava tão bagunçado como o meu, e te ajudar a arrumar. Pra minha surpresa, estava trancado. Pedi pra entrar, com a maior humildade do mundo. Você não deixou. Do lado de fora, do jardim, vi várias pessoas entrarem e saírem com a mesma velocidade. Mas eu… Nada.

E foi aí que eu percebi que minha hospitalidade era só mais uma dentre tantas e que, você ficava ali apenas quando precisava, não porque realmente queria. Joguei os porta retratos no chão, baguncei a casa toda novamente e te dei um ultimato: É hora de sair de mim. E se não sair, tô te tirando a força mesmo. Vou passar um bom tempo arrumando tudo de novo e não quero companhia. Muito menos a sua.

Postado por Daiany Gomes

21 anos, paulista e formada em marketing. Aos 9 escreveu uma peça de teatro sem nenhuma pretensão. De lá pra cá, nunca mais parou. Atriz de alma, escritora por paixão e ruiva de farmácia. Dona mais que orgulhosa do blog Bilhete da Garrafa. De vez em sempre, brinca com as palavras por aí.
18 de jan de 2016

Vem, chuva

Vem, chuva.

Escorre imponente pela minha pele e chega ao chão com a sensação de dever cumprido. Pois acredite, você cumpriu. Bate forte e me manda sorte pra vida que vem por aí. Eu vou caminhando tranquila pela rua, sem me preocupar. Já passei do tempo de ter medo de me molhar. Afinal, quem entra em ti…

Vem, chuva.

Você fica tão linda combinada com as luzes da cidade e os faróis dos carros, sempre repletos de pessoas apressadas querendo chegar logo no alento do lar – ou dos braços de um outro alguém. Pena que elas quase nunca reparam que você está ali. Não agradecem o fato de você sempre voltar para lavar todos os medos. Lave os meus também, mande-os para o bueiro, para o esgoto, junto com tudo de ruim, que já é momento de me jogar, me lançar nesse mundo sem fim, sem medo, sempre.

Vem, chuva.

E depois de virar garoa e o vento te levar para lavar outras almas por aí, manda o sol para iluminar meu ser. Traz o céu repleto de estrelas para eu poder observar e admirar mais um dia. Me traz sorrisos aliviados por estar finalmente em paz. Mesmo que me seque, a sensação continuará dentro de mim. Traz no dia seguinte o céu aberto, azul infinito e que essa se transforme na cor da esperança, de dias melhores, de dias mais fortes, de dias para nós.

Vai.

Postado por Daiany Gomes

21 anos, paulista e formada em marketing. Aos 9 escreveu uma peça de teatro sem nenhuma pretensão. De lá pra cá, nunca mais parou. Atriz de alma, escritora por paixão e ruiva de farmácia. Dona mais que orgulhosa do blog Bilhete da Garrafa. De vez em sempre, brinca com as palavras por aí.
Página 1 de 71234567