Posts de Gabriela Freitas
04 de dez de 2015

Presente do passado

Olho para o lado e ali está ele, dormindo todo esticado no sofá maior enquanto eu giro a poltrona em 360 graus completos na tentativa de vivenciar de fora essa cena. Ele sorri, como se estivesse feliz demais pra sonhar com algo que não fosse tão bom quanto a realidade, e eu sorrio de volta, mesmo que ele não me veja, porque a realidade é muito melhor do que qualquer sonho. Porque os dias já foram nublados e a vida meio tempestiva, e aqui dentro já doeu pra cacete. E eu já achei que não ia dar conta de juntar todos os meus caquinhos pra recomeçar mais uma vez. Porque eu me enfiei em muitas histórias que estavam na cara que dariam errado só pra ter alguém pra me completar. Engano tolo, a gente não se completa com qualquer migalha, nem com os outros.
Analiso o calendário do celular, faltam menos de 30 dias para o ano acabar, há 330 dias, mais ou menos, eu não era eu. Eu não tinha os mesmos planos que alimento agora, não tinha a mesma coragem que criei ao longo dos meses, não tinha essa segurança de quem sabe que nunca vai estar sozinha. Há um ano eu procurava desesperadamente pelo amor da minha vida. Olho mais uma vez pra ele adormecido nas minhas almofadas de algodão e sinto vontade de correr até lá e deitar ao seu lado e mergulhar no mesmo lugar em que seu inconsciente vaga, mas permaneço girando a poltrona. Eu não encontrei o amor da minha vida como nas histórias de amor, nem como nos filmes de comédia romântica, a gente não cruzou a mesma esquina e nem trocou risadas e o telefone numa dessas festas sem graça. Eu encontrei o amor da vida enquanto chorava descontroladamente pelo ex-amor na minha vida, depois de mais um porre e uma enxurrada de mensagens sem resposta. Eu encontrei pelo amor da minha vida quando olhei no espelho e reconheci ali, naquela imagem de uma mulher destruída, o que eu tanto tava buscando em outros corpos.
Depois ele apareceu, já chegou mostrando ao que veio, deixou claro desde o início que vinha pra ficar, e ficou. Mas não foi porque nos completamos e unimos nossas metades da laranja, foi porque a gente transbordou. E amor é isso: quando a água não cabe mais dentro do copo e cai pra fora. Preencher o copo é responsabilidade sua. Eu fui aprendendo meio que na marra que precisava fazer isso sozinha, que a minha felicidade não podia depender de ninguém. Sou eu quem me faço feliz. Olho pra ele, mais uma vez, e me enfio no meio dos seus braços. Ele é só mais um motivo pra que o sorriso não saia da minha boca. Um ótimo motivo.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!
04 de nov de 2015

Eu não sou esse tipo

Você achou que eu choraria por um mês ou mais e que nesse período eu te escreveria diversos textos de amor e mensagens implorando a sua volta. Esperava que eu deletasse do computador as fotos e as músicas que você transformou em nossas, que eu apagasse seu número e te bloqueasse das redes socais. Antes de ir, você questionou o quanto eu te xingaria para as minhas amigas, se os meus amigos te detestariam daqui em diante e se eu iria falar mal de você por aí. Você se perguntou se eu devoraria potes e mais potes de sorvete nas noites em que tua ausência fosse insuportável, se indagou, também, quantas vezes por dia eu ia te ligar, quantos chamados você teria de ignorar até que eu desistisse de ir atrás. Você achou que eu não aguentaria o tranco de um pé na bunda, mas rapaz, sinto muito, eu não sou esse tipo de garota.
Doeu, claro, mas mais pela raiva do que pelo fora, chorei por ter esperado muito de quem não tinha nada para dar. Entrei de luto, só que foi por mim, foi pelo meu orgulho ferido, foi por ter dado meu coração sem pedir garantia, foi por ter desejado que desse certo. Foi por ter deixado meu amor próprio morrer no meio da nossa história. Já tava escrito: não tínhamos como ser, não tínhamos o que ser. Me escondi em casa por vergonha de ter deixado um cara como você me conquistar tão fácil, me levou na lábia e eu acreditei que, apesar de tudo, podia ser você. Cabelo arrumado, cheiro marcante, olhar forte, abdômen sarado e barba mal feita, parece protótipo de um cara qualquer, e é. Você é comum, amor, e gente comum não marca. Sinto te decepcionar. Era o cara perfeito para desfilar de mãos dadas, mas não me acrescentava. Pena que eu só fui perceber isso quando tua falta não me fez falta.
Seu ego inflado não te permite ver que, diferente de você, eu nunca precisei postar foto na balada para provar minha felicidade, to aqui, quietinha, no meu canto, repensando os próximos passos, analisando os próximos caras, curtindo a minha nova solteirice na esteira da academia. To bem, to inteira, engoli algumas lágrimas e fiquei um pouco mais salgada, dor de cotovelo não mata, salva. Não faço o tipo que se entrega pra dor, você já devia saber, aproveitei a rejeição e me refiz em uma nova mulher, tava precisando disso, nada como um patético “não é você, sou eu” para a gente ver que a culpa era dele mesmo, tua despedida abriu espaço pra volta do meu amor próprio, só posso te agradecer por isso.
Agora para de exclamar por aí que to borrando o meu rímel porque cê’ resolveu parar de andar ao meu lado, esse personagem cabisbaixo não me veste, rezo todo dia “livrai-me de tudo que me atrasa e me retém.” você só adiantou o trabalho dEle. Amém.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!
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