Posts de Gabriela Freitas
01 de jun de 2015

Sobre amor, café e bom dia

couple-437987_1280

Imagem retirada do site pixabay

Olho o celular e observo a noite passar. O coração aperta, sufoca. Suspiro. Já passam das três da madrugada e sua última visualização foi às onze da noite. Digito seu número, apago, digito, apago. Angustia. Sento na cama, acendo a luz, encaro o vazio e escuto sua voz.

Aprendi cedo que relação é como a areia, se não tomar cuidado ela escapa entre nossos dedos. A separação repentina dos meus pais me gerou incerteza com finais felizes. Cresci odiando a Disney, lá pelos meus onze anos jurei que nunca, n-u-n-q-u-i-n-h-a, deixaria um desses príncipes encantados metidos a galã de novela roubar meu coração. Amar era verbo não conjugado no meu vocabulário, era proibido. Mas o problema é que você nunca gostou de seguir regras.

Existem coisas na vida das quais a gente não pode fugir: Quando é pra ser, é. E a gente foi sendo sem que eu conseguisse impedir. Cê apareceu aqui numa quarta-feira chuvosa com um livro de autoajuda reclamando do meu stress na aula de química e eu não conseguia parar de rir com a sua cara de pau. Te ofereci um café, porque era tudo que eu podia te dar, você me ofereceu a sua companhia, e não havia oferta melhor. Depois de um tempo ficou impossível não perceber o que estava acontecendo. Eu esbravejava pela casa cada vez que me pegava pensando em você, e depois sorria feito besta deixando o pensamento voltar a te encontrar nos meus devaneios. E, pela primeira vez em uma década, finais felizes não eram tão incertos assim.

Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos…. Levanto, esquento um café. Respiro fundo. Mas amar não é tão fácil assim. Pego o telefone, ensaio uma ligação “Oi, tudo bem? Eu sei que a gente brigou e que eu falei um monte de coisa sem noção e pedi pra você ir embora pra sempre, mas, bem, eu não quero que você vá, porque eu te amo. Te amo pra caramba. E tudo bem brigar de vez em quando, todo casal briga, não é? Todo casal tem seus momentos ruins, seus dias de cão e gato. Foi besteira, stress acumulado, nada que a gente não resolva conversando. Conversar é sempre a melhor saída, lembra?”, mas sempre acabo desistindo.

Muita gente fala de amor, tá jogado internet à fora bem mais do que dez passos sobre como melhorar seu relacionamento, ou como salvar sua relação. Acho engraçada essa mania que algumas pessoas têm de listar tudo o que precisam fazer, é tanta enrolação e complicação só pra fugir do óbvio. Namoro requer apertos, ajustes, cuidado, paciência. É igual uma casa nova, quando você acaba de comprar ela tá novinha e você não consegue enxergar as imperfeições, mas quanto mais velha ela fica, maiores são as rachaduras. Aí cê reforma, pinta aqui, pinta ali, troca o piso e ela tá ok de novo. Namorar é igual viver em uma casa velha: não importa quantas goteiras apareçam, se mudar dela é pior que se molhar. Por isso eu prefiro ficar encharcada.

Volto pro quarto, ligo a televisão. Já está na hora de acordar e eu ainda não dormi e nem você apareceu. Desisto. Amar também é dar o braço a torcer, não é? Digito uma mensagem:

— Amor, podemos parar agora? Será que dá pra checar as mensagens no celular? E bom dia.
— Bom dia, já paramos. Te amo, bravinha.

Agora sim, até mais tarde.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!
04 de abr de 2015

Não vai embora, moreno

5190810400_4864f14dd1_o

Fonte: Birikiuc

Reviro na cama em busca do sono que não vem. Já passou da hora e meus olhos permanecem semiabertos, encharcados de saudades, encharcados de você. Dizem que não pensar ajuda, mas o que eu posso fazer se só consigo ver a imagem de vocês com as mãos dadas? Te vi ali, naquela esquina do Ipiranga com a Vergueiro, indo embora com ela. Indo embora pra sempre. Senti uma vontade desesperada de correr até você e implorar para que ficasse, só mais um pouco, só para eu te provar que o meu amor basta pra nós dois.

Fiquei sabendo que vocês vão casar, eu disse que era impossível com muitas exclamações, você sempre teve pânico de compromisso, nunca viu graça naquela coisa de trocar aliança e jurar fidelidade. Vocês não vão, né? Me liga e diz que é mentira, que entenderam errado e tudo não passa de um boato maldoso pra te afastar ainda mais de mim. Diz que foi ela que saiu por ai espalhando esse monte de besteira só porque teu melhor amigo casou no mês passado e vocês foram padrinhos. Diz, por favor, que não tem nada a ver, porque você jurou, naquele dia em que bebemos demais e falamos o que não devíamos, que no final ainda seria eu e você. Lembra? Eu e você, é assim que tem de ser. Me liga que meu número ainda é o mesmo e o meu amor também, me convida pr’um café, pr’um chá, ou pra tua casa. Fala que as coisas vão voltar ao normal e faz esse aperto que anda devorando minha alma ir embora. Me liga só para ouvir minha voz, e deixa meu coração sossegar com a sua, que tá difícil sem você, rapaz.

Faz muito tempo que a gente não se vê e muita coisa já mudou e não era pra ser assim, eu sei, então não deixa ser. Sabe? Depende da gente. Não deixa todas as nossas promessas escorrerem pelo ralo. Não deixa o nosso amor falecer em uma esquina suja no meio de São Paulo. Toca aqui em casa e fala que também sente a minha falta e que o perfume dela não combina com o seu. Fala que você tentou se perder em outros braços, mas que só se encontra no meu abraço, porque eu só me encontro no teu, moreno. E só me perco em você. Volta de madrugada com a maior cara de cachorro arrependido e pede para entrar, que eu deixo. Pede um beijo que eu dou. Pede amor, que eu faço. Pede pra gente ser, que somos. Me pede. Volta. Volta e sussurra devagarinho que se arrependeu e que me quer de novo. Porque eu ainda te quero.

Volta que ainda dá tempo da gente mudar o final dessa história. Ainda dá tempo de comprar aquela casa térrea de frente pra praia e adotar meia dúzia de cães. Ainda dá tempo do nosso amor acontecer. Ainda dá tempo de ser eu e você. Lembra? Eu não esqueço. Nunca.

Volta, moreno, volta que eu tô te pedindo pra não sair de dentro de mim.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!
Página 4 de 512345