Posts de Gabriela Freitas
02 de mar de 2015

Tô crescendo, moreno.

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Fonte: Birikiuc

Dei uma passada naquela livraria da saúde e vi um livro que era a tua cara, quis levar pra te dar de presente. A história misturava ficção científica e suspense, sem amor, a contracapa garantia: era o teu livro, já que você nunca gostou muito de romance, enquanto eu amava. Você desejava viver aquelas aventuras irreais enquanto eu só queria que meu pé saísse um pouquinho do chão e que a tua mão segurasse a minha. E a gente iria flutuar junto, sem suspense e sem ficção, mas com amor. Deixei o livro no meio da estante e pensei em você. Um pouquinho, meio sem querer, querendo muito, mas lutei pra esquecer.

Não tenho te escrito muito, notou? Minha prosa ganhou outra poesia, prometi que eu ia seguir em frente. Tuas histórias me ensinaram que príncipe encantado não existe, embora eu não me importasse que você fosse o vilão desde que fosse meu. Eu tô seguindo, moreno, um pouco por dia, mas de vez em quando dá saudades. Uma saudade doída no cantinho esquerdo do peito. Uma saudade revestida por lembranças do que não aconteceu. Dos momentos que você não deixou a gente viver. Aí eu choro quietinha no travesseiro e fica tudo bem de novo.

Depois da tempestade vem o arco-íris, moreno, e eu corro atrás do meu pote de ouro. Não morri de amor, nem de dor, nem de saudades. Mas morri um pouco quando te implorei pra ficar e você foi levando toda história que eu tinha criado pra nós. Morri um pouco todo dia, até quase morrer e renascer. Eu precisei ter muita fé, sabe? Pra não desistir de ser feliz, porque quando você saiu pela porta de casa jurando que não punha mais os pés aqui eu perdi o chão e achei que nunca mais fosse encontrar. Aí fui morrendo com a esperança de que você ia voltar, ia sim. Não ia? E você não voltou. E eu tive de reencontrar um lugar firme pra pisar, um pé de cada vez, até recuperar o equilíbrio. Eu sobrevivi da morte do nosso amor e hoje eu te entendo, moreno, amor tem que ser recíproco. Você fez bem em ir embora.

Depois que eu sai da livraria tive vontade de te ligar só pra bater um papo, te ouvir falar. É que bateu abstinência da tua voz. Mas eu fui forte, segurei as duas mãos e fui embora. Tô naquela fase em que a gente mata um leão por dia pra não lembrar. A vida passa devagarinho enquanto eu ensaio mil desculpas pra te procurar nas redes sociais, mas resisto. Fico forte, fecho os olhos, conto até dez e a vontade passa. Repito pra mim mesma até acreditar que não importa com quem você está e como você está, não é mais problema meu. É como um pós alcoolismo, cada dia sem você é uma vitória. “Mais um dia”, repito pra mim mesma. E depois eu já nem penso mais. Já nem lembro. Já nem ligo. E te esqueço.

O tempo tem andado com pressa, a vida vai se agitando aos poucos e aí começam os convites, os amigos batendo em casa com pizza e cerveja, as tardes no shopping e as noites na balada. Fui até pra praia, acredita? Entrei no mar e tudo. Tô aprendendo a amar o verão, com todo seu azul e calor de 40 graus e a vontade de ser feliz. E eu vou sendo. Tenho te abandonando aos poucos em cada esquina que passo e a caminhada vai ficando mais leve. É mais fácil sorrir quando o passado não te afasta do futuro. Tô sendo forte, se preocupa não. Mais um dia, lembra? E assim eu vou seguindo. E tem o sol, e a calma, e a paz. E eu me recupero quando tropeço e quase te procuro. Lembrei de você hoje e depois eu te esqueci, de novo. E vou esquecendo, um pouco mais, até esquecer pra sempre.

É. Eu to crescendo, moreno, e tô matando os meus leões.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!
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