02 de dez de 2015

A fotografia por outro ângulo: Bernd e Hilla Becher

Eu sempre reforço aqui a importância de se ter boas e variadas referências para ser um bom fotógrafo, acredito que sempre vou bater na mesma tecla. Além disso, acho que conhecer o trabalhos dos grandes nomes da história da fotografia, mais do que trazer inspirações, torna o ato de fotografar infinitamente mais enriquecedor. Trouxe para apresentar pra vocês a história de um casal de fotógrafos que transformou decisivamente a fotografia contemporânea: Bernd e Hilla Becher.

Os dois se conheceram em 1957, na cidade de Düsseldorf, na Alemanha, quando ambos trabalhavam com publicidade. Começaram a trabalhar juntos com fotografia em 1958, registrando paisagens industriais abandonadas, como câmeras de gás, minas de carvão e grandes caixas d’água.

O que tornou histórico o trabalho do casal foi a grande precisão e formalidade com que suas imagens eram capturadas, que resultaram num estilo próprio muito característico. As fotografias são dotadas de simplicidade e ao mesmo tempo uma riqueza absurda de detalhes (devido a enorme profundidade de campo). O céu nublado ao fundo – sempre presente – e a nítida objetividade das fotografias traz à tona uma sensação de perda e vazio, a mesma que existia naquela era pós-industrial.

Bernd e Hilla Becher fizeram um trabalho de fotografia documental por quase 50 anos. Viajavam por siderúrgicas e minas não apenas na Alemanha mas, posteriormente, em outros países da Europa, registrando, através de uma câmera de grande formato, aquelas estruturas que, em breve, desapareceriam. As imagens, sempre com ângulos muito similares, trouxeram para a fotografia uma grande referência de arte conceitual e minimalismo, que através da frieza do olhar (marcada pela repetição) desperta o sentimento no espectador.

O casal lecionou durante alguns anos na Düsseldorf Art Academy, formando diversos fotógrafos que seguiram seu mesmo estilo. Ganharam muitos prêmios, inclusive de escultura, de tanto que o estilo reforçava e exaltava aquelas formas. Bernd faleceu em 2007 e Hilla em outubro desse ano.

Postado por Dora Schmidt

Gaúcha, sagitariana, estudante de jornalismo, blogo no Parada Quinze. Amo fotografia (mais do que fotografar) e o impacto que ela é capaz de nos causar, marcando a sociedade e a história. Não abro mão da simplicidade de uma vida leve como Amélie Poulain e isso se reflete nas minhas fotografias.


  • Babi Lopes

    Em 02.12.2015

    Dora, que interessante! Quanta precisão, caramba! Se olhar rápido dá até pra pensar que são as mesmas fotos. Não conhecia e tô com uma outra aba aberta aqui pesquisando mais. Gostei de verdade!

    Beijo :*

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