10 de mar de 2016

Au Pair: o programa e minha experiência como babá no exterior

Durante meu período trabalhando na agência de viagens, fiquei responsável por um programa que muita gente já ouviu falar, pouca gente realmente sabe o que é e só quem passou por isso pode dar pitacos. É um programa que envolve tudo aquilo que nós podemos ter: instinto materno, apego emocional e maternal. Sinto muito aos meninos, mas hoje o papo é com as meninas. Vamos falar um pouquinho sobre o programa de Au Pair?

A expressão au pair significa “ao par” em Francês e vem da ideia de “parceria entre serviços trocados”. Falando rapidinho sobre isso, é você trabalhar em troca de casa, comida e uma remuneração. Esse termo é usado nos serviços domésticos e o programa foca nos cuidados com crianças e, às vezes, adolescentes. Mas vou viajar para ser babá? Amiga, se a sua ideia é fazer intercâmbio, viver o máximo dessa experiência, gastar pouco e ainda ganhar uma graninha, a resposta é sim, você vai ser babá.

Au Pair: o programa e minha experiência como babá no exterior

Fonte: Pexels

O programa está disponível em praticamente todas as agências de viagens, então a questão é de se encaixar numa delas mesmo. Não vou citar nomes (embora devesse, porque olha…), mas paguei e comecei meu processo numa agência em Santos, litoral de São Paulo, onde eu morava na época. Até o momento de receber meu dinheiro, o dono era legal, fez a entrevista comigo e tudo mais. Depois disso, sumiram e rolou o maior stress. Nem eu e nem minha amiga aguentamos as grosserias dele. Eu me arrisquei demais. Sério, vou contar, mas de coração, proíbo vocês de fazer o mesmo. Só fiz porque já conhecia o lugar, conhecia pessoas lá e não tinha uma lamparina de juízo acesa na cabeça.

Por mais que a gente escolha uma agência, ela é responsável pelo processo no Brasil. Fora daqui, na minha época era – e acredito que ainda seja – a Cultural Care Au Pair que recepcionava as meninas nos EUA, dava treinamento e encaminhava para as famílias. Basicamente, vocês vão pagar uma taxa de inscrição pra agência, fazer as provas escrita e oral e, só depois que passar nessa fase, começa seu profile no site da agência americana. As famílias que se interessarem por você, vão entrar em contato e as conversas sempre vão ser intermediadas pela agência. Pode demorar dias, semanas ou meses até que a família apareça. E quanto mais “barreiras” vocês colocarem, mais difícil vai ser para encontrar uma família. Geralmente é um casal de classe média ou alta, que podem ter de um a 300 filhos, depende do que eles preferem, rs. Já vi meninas fazendo entrevista para cuidar de cinco crianças, com idades de 1 a 7 anos. Eu, particularmente, acho isso loucura, porque criança dá trabalho pra caramba. Mas aí fica a critério de cada uma.

Quando rola aquela empatia e tudo parece estar dentro dos conformes, rola o que a gente chama de match. O momento mais esperado, o auge da preparação do programa, que é quando a família escolhe a au pair e a menina aceita. Aí é a hora de correr atrás de visto, documentação, passagens, tudo. A melhor parte: os custos ficam por conta dos novos chefes, que tem que dar os bilhetes aéreos, plano de saúde e preparar um espaço na casa para a au pair.

Minha experiência

Com o fuá/barraco/stress que passei na agência, comecei a buscar maneiras alternativas de entrar nesse mundo. Me cadastrei num site e comecei a cuidar de tudo por minha conta. Claro que o foco tinha mudado: já que eu era a “minha própria agência”, então eu ía para onde quisesse. E, claro, fui para o Canadá. Encontrei uma família de North Vancouver, com duas filhas lindas, um casal simpático e fiquei encantada. A casa era muito legal, tudo certinho e eles pareciam ser pessoas ótimas. Na primeira vez (e acho que única) que conversamos pelo Skype, a filha mais nova, na época com 1 ano e meio, veio arrastando o vestido que ela usaria no casamento da tia para me mostrar. Sério, sou apaixonada por essa menina até hoje.

Au Pair: o programa e minha experiência como babá no exterior

Fonte: Arquivo Pessoal

Posso dizer que 80% do meu período com essa família foi ótimo, na maioria das vezes graças às meninas. O Canadá tem o programa de Live-in Caregiver, que é feito diretamente com o governo, sem agência. A mãe das meninas me deu uma enrolada e, como eu não tinha uma equipe por trás, que fiscalizasse, acabei aceitando algumas condições. Basicamente, eu recebia metade do que uma família americana devia me pagar, tive que bancar minhas próprias passagens, custos com visto e seguro de viagem (que eles me pediram para fazer depois que passei mal e desmaiei no meio da cozinha da casa).

Além disso, indo por agência, a família americana tem que pagar um curso pra au pair, que tem que cumprir uma determinada grade de estudos para concluir o programa. O que eu estudei, eu mesma paguei. Além da comida e da casa, eles só me davam o transporte, que era em bilhetes individuais. Ou seja, acabou, tinha que esperar comprar mais. Esse tipo de apoio pode parecer besteira e eu só me sujeitei à isso porque já conhecia Vancouver. No aperto, eu correria para a casa de amigos ou da minha antiga hostfamily e pronto. Eu também tenho um problema meio complicado: sempre que o tempo muda no Canadá, eu fico dias de cama, com uma gripe lascada. A pequena pegou gripe, eu peguei dela e… problema meu. Simples assim. Não me ajudaram com remédio e nem me levaram em médico. E no único dia que o pai delas disse que eu podia ficar em casa, a mãe brigou à noite porque elas tinham que sair TODO. SANTO. DIA.

A maneira deles de educar é muito diferente da nossa e se a au pair não tiver jogo de cintura, as crianças montam em cima mesmo. É importante sempre conversar com os pais e ver o que eles esperam que vocês façam em determinadas situações, porque mais dia ou menos dia, a criança vai dar uma de louca. Não falo isso para assustar ninguém, mas tive momentos com as duas meninas que precisei ser firme. Rolou castigo no quarto e tudo. Não teve jeito. Graças à Deus e ao instinto materno que desenvolvi com elas, a obediência era muito mais constante do que as birras quando estávamos só nós três, então estávamos de boas.

Quando voltei em 2014, dessa vez para o programa de estudo e trabalho, o primeiro emprego que consegui também foi de au pair. Mas aí já era nanny mesmo, porque as condições eram outras. Eu ganhava bem melhor, ficava na minha casa, não morava com a família. Era uma menina só, de 10 meses e ela era uma fofa. Cheguei a viajar com eles e tenho ótimas lembranças da convivência com os pais dela. Eles eram bem mais despojados que os da família anterior, a gente conversava bastante e eles me levaram no melhor restaurante que eu já fui em Vancouver!

Se vocês querem saber a minha opinião, é um programa muito legal. Não é tão caro, mas a gente se sujeita a muita coisa e tem que engolir muitos sapos. Os julgamentos alheios nem sempre são os melhores e o desafio de cuidar de crianças é grande. Mas de verdade? Eu seria uma eterna au pair se pudesse. Não tinha coisa mais gratificante do que estar no sofá e a menina mais velha vir se aninhar no meu colo, pedindo abraços e beijos.

Se alguém tiver dúvidas ou curiosidades, deixa nos comentários que eu vou respondendo, tá? E se tiver gente se preparando para o programa, força na peruca e vai com tudo. Um ano passa muito rápido, então aproveite! *u*

Postado por Mariana Pereira

Mariana Pereira, 26 anos, jornalista, blogueira, autora de "Ao meu ídolo, com amor..." e #ShihTzuLover. Eterna intercambista e canadense de coração, sonha em viver num país bem gelado, apesar de não ser muito fã da neve. Atualmente se divide entre comandar uma sorveteria, escrever mais livros, brincar com seu cachorro e planejar suas próximas aventuras.


  • Katerine

    Em 10.03.2016

    Olá Mariana, procurando informações sobre o programa Live in Caregiver Canadá encontrei seu blog, você poderia me passar o site que você se cadastrou para encontrar essa família? Agradeço muito desde já!

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  • Mel

    Em 10.03.2016

    Parabéns pelo post, Mariana. Adorei a forma como você descreveu a sua experiência :)

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