21 de nov de 2015

Como ajudar alguém que está em depressão?

A depressão é um assunto muito complicado. Pra quem não sabe eu já tive depressão 2 vezes, uma no início da adolescência e, depois, quando perdi meu bebê… O que acontece é que quando estamos com depressão, muita gente quer ajudar, mas poucos sabem como e, nessas horas, trocar as mãos pelos pés é muito arriscado.

Se você está passando por um momento difícil desses, queria dizer que esse post não é voltado para você, mas que você pode – e deve – lê-lo até o fim para saber como lidar com seus amigos e ajudá-los a te ajudar! Sim, porque eles querem te ajudar, mas muitas vezes não sabem como, afinal de contas, o calo nunca aperta em quem não calça os nossos sapatos… Saber lidar com alguém que passa por um momento desses é difícil, por isso eu fiz esse post, pensando em ajudar as pessoas que querem ajudar quem precisa.

Não é besteira

Não importa se fulano amputou o pé e tá sorrindo, depressão não é besteira e não deve ser diminuída perto de nenhuma outra doença “pior”, sei que as vezes falamos isso com o intuito de animar quem amamos, mas o tiro pode sair pela culatra e fazer a pessoa se sentir pior ainda.
O sentimento que dá é algo do tipo: “Putz, ele tem razão, eu não devia estar assim, mas porque eu estou então? Eu sou uma inútil mesmo, não consigo nem ficar bem…” E isso pode fazer a pessoa entrar cada vez mais fundo na depressão.

Não queremos falar

Uma pessoa em depressão pode não querer falar sobre o que está acontecendo, ou até mesmo pode nem sequer entender o que está acontecendo, então não o force. As vezes o silêncio é a melhor companhia. Não nos deixe sozinhos, mas não nos faça falar, quando quisermos pode apostar que as palavras sairão sem ser pedidas. Fique ao nosso lado e procure dar apoio.

Não somos de vidro

É claro que as pessoas em depressão devem ser olhadas com mais atenção, devem ser privadas de algumas situações que possam expô-las a gatilhos que façam com que se sintam pior, mas não são de vidro, você não precisa escondê-la do mundo e protegê-la de todo o mal. Deixe que a vida vá fluindo…

Pequenos passos, grandes conquistas

Não espere que alguém em depressão vá aceitar seu convite para a balada, eu sei que foi feito com a melhor intenção, você só quer ver a pessoa bem em um ambiente divertido e descontraído, mas calma! Pequenas coisas já devem ser consideradas grandes vitórias! Que tal começar com um piquenique na garagem? Depois um jantar com a família? Depois sentar na varanda e olhar a rua, dar uma volta no quarteirão, levar o cachorro pro parque de manhã… Uma coisa de cada vez. A casa e a cama são o porto seguro de quem está em depressão, não queira afastá-lo assim de uma vez!

Endorfina!

Endorfina é uma substância natural produzida pelo cérebro durante e depois de uma atividade física, ela é responsável por liberar uma sensação de bem estar. A depressão mina a produção de endorfina no nosso corpo, então precisamos de estímulos exteriores que nos façam sentir esse bem estar. Nosso doce preferido, um filme, uma comédia, um stand up… Coisas pequenas e rápidas, porque uma pessoa com depressão muitas vezes não consegue se prender a algo por muito tempo.

Dê o ombro amigo

Deixe a pessoa chorar, não minimize o sofrimento de quem está em depressão, nada de falar que é preciso ver o lado bom da vida e todos esses conselhos prontos que ouvimos por aí. Diga que a vida tem picos, altos e baixos e que você estará lá em todos eles. Que a pessoa pode contar com você e que você irá respeitar esses momentos.

Fique atento!

Infelizmente sabemos que muitos casos de depressão terminam em suicídio. Você não precisa vigiar a pessoa 24 horas por dia, mas fique atento, normalmente a pessoa em depressão dá dicas do que fará e de como se sente, palavras e pensamentos relacionados à morte ou coisas como “seria tudo melhor se eu não existisse” são alertas e uma ajuda profissional é indispensável nessas horas!


Espero que esse post possa ajudar a todos que precisam lidar com alguém que se encontra em depressão, não é brincadeira, é uma doença séria e precisa de cuidados como qualquer outra. Devemos ser pacientes com quem está em uma situação dessas e sempre nos fazer presentes, dessa forma a pessoa sentirá o apoio que precisa e poderá começar a dar os passos certos em busca de uma melhora! ♥

Postado por Aime Reis

Também conhecida como: Klaryan. Tem vinte e alguns anos e é blogueira há 15, dona do Klaryan.com, mora sozinha, já morou em Portugal e ama escrever! Formada em Letras português/japonês/espanhol, sonha em ser poliglota, mas sempre esquece as palavras que estão na ponta da língua. Ama compartilhar aquilo que sabe e aprender sobre o que não sabe, pra compartilhar também...


  • Ohara

    Em 21.11.2015

    Post muito: lindo e útil&rs. eu to tipo num início de depreção, crise existencial, sei la como chama.. ou
    Adorei! <33

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  • Paty

    Em 21.11.2015

    Eu passei por isso há algum tempo e o pico foi há cerca de 1 1/2 atrás. Antigamente, eu achava que era bobeira, não entendia como funcionava ou como alguém “pegava depressão” e descobri tudo da pior maneira. Foi bem aos poucos e quando percebi, estava afundada nisso e me medicando por conta própria, porque não queria compartilhar isso com ninguém, então não fui nem à terapia (para não ter que explicar à minha família o porquê). Depois de mais de um ano assim, fortaleci a amizade com um cara até que um dia, bêbados, começamos a nos abrir e descobri que ele tinha o mesmo problema que eu, então, começamos a conversar sobre isso sempre, para tentar aliviar o que sentíamos. E ter uma pessoa para conversar, chorar um pouco e me abraçar, sem me julgar ou sem achar que aquilo era frescura, foi o primeiro e o maior passo que dei para sair dessa. Demorou, foi doloroso, mas aprendi muito e nunca mais julguei ninguém, porque não podemos medir o impacto ou o “nível” de tristeza de uma pessoa. Não importa se eu não acho determinado ato importante ou indiferente, o que importa é o impacto disso naquela pessoa e ponto final. Depois de enfrentar tudo comecei a observar as pessoas e descobri que conheço mais pessoas passando por isso do que eu poderia imaginar.

    Hoje em dia já consegui superar e não tenho recaídas há mais de 8 meses. E o melhor de tudo é que consigo ajudar e dar a devida atenção às pessoas que conheço e passam por algo parecido, porque sinto até uma certa facilidade de me aproximar deles, já que não chego com os dois pés no peito mandando parar de frescura.

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  • Van M

    Em 21.11.2015

    Bom dia!

    Bah! Eu tive que me segurar para não chorar, rs…
    Há duas pessoas em minha vida muito próximas que têm há um bom tempo depressão e síndrome do pânico.

    Ultimamente, percebo que não tenho me colocado no lugar delas e talvez esteja até forçando a barra. Me sinto triste por não estar ajudando no mínimo um pouco. Acabo me afastando.
    Até porque eu estou estresse pós-traumático e comecei a me tratar. Então, talvez eu ainda não tenha suporte emocional para voltar a lidar com essas pessoas que tanto amo. Mas, o que me entristece é que tudo que está aí no post é meio que simples de fazer só que eu na tentativa de ajudar fiz muitas coisas ao contrário.

    Me deu um aperto no coração quando li e a ficha caiu. Acho que posso me esforçar um pouquinho mais mesmo com meus problemas.

    Muito obrigada pelo post veio na hora certa. Boa semana para vocês, gurias!
    Beijo! <3

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