21 de abr de 2015

Respeite para ser respeitadx

Oi pessoal, tudo bem? Vim trazer uma discussão bem interessante aqui pro CDB hoje, espero que gostem!

Vocês já se perguntaram porque tem gente aí usando o “x” no final do substantivo para demarcar o gênero neutro? Acho que muitos de vocês já viram o uso do “@“, como em “tod@s”, “parceir@s”, “companheir@s”… Mas atualmente o pessoal, principalmente dos movimentos em defesa da igualdade de gêneros, tem usado a letra “x” com a afirmação de que seu uso vai além da demarcação de sexo “masculino” e “feminino”, uma vez que o arroba representa ao mesmo tempo o “o” da demarcação do masculino e o “a” do feminino, o “x” representaria todos os gêneros, sem exceção. Mas afinal de contas, o que é gênero e o que é sexo? Não são a mesma coisa? Não senhorxs! “Enquanto sexo é uma categoria que demarca os campos do que é ser fêmea e do que é ser macho, gênero, por sua vez, é um conceito mais relacionado ao que é feminino, masculino ou uma mistura dos dois. Compreender essa diferença é essencial para discutir a igualdade” – Olgamir Amancia, Secretária de Estado da Mulher. Enquanto o termo sexo puxa a questão pro lado biológico da coisa (se nasceu com pênis ou vagina, com útero ou testículo…), o termo gênero tem mais a ver com o comportamento social, é a maneira como a pessoa se vê perante a sociedade e como ela gostaria de ser representada. Uma pessoa que nasceu com os órgãos reprodutores que representam o sexo masculino pode se identificar com as características convencionalmente atribuídas ao comportamento daqueles que são do gênero feminino e querer ser representado desta forma. Gênero, na língua portuguesa, também está ligado ao masculino e feminino fora desta questão biológica, por exemplo, como o português é um idioma no qual não há um artigo neutro, todas palavras pertencem a um gênero: mesa é uma palavra do gênero feminino, temos que utilizar o artigo feminino = a mesa. Sapato é uma palavra do gênero masculino, para nos referirmos a essa palavra utilizamos o artigo masculino = o sapato.

É uma questão complicada…

Quando falamos de comportamentos atribuídos aos gênero feminino ou masculino, estamos impondo a ideia que mulheres devem se comportar da maneira x e homens devem se comportar da maneira y. Caímos nos clichês que dizem que vestido é roupa só para mulher e homem não pode ser sentimental. E posso afirmar que isso é a maior causa de preconceito e um forte gerador dos famosos discursos de ódio que vemos por aí. Fulano vê o filho do vizinho chorando e comenta com o amigo, que sai por aí falando que o filho de sicrano “chora quem nem menininha“, outra pessoa que ouviu a conversa, por sua vez, já espalha que o menino é gay. Todos começam a olhar torto para a criança, que apanha em casa, por conta de seu pai homofóbico acreditar nos “rumores”. A nossa querida Hermione Emma Watson, feminista de carteira assinada, fez um discurso para a ONU que explica bem o quanto essas definições impostas do que é masculino e do que é feminino prejudicam tanto homens quanto mulheres. Se tiver um tempinho assiste aí que você não vai se arrepender!

Ok, mas por que X e não @?

Embora eu concorde que o uso do x atrapalhe a leitura (principalmente para deficientes visuais que utilizam programas que convertem o texto para áudio e estes programas não “leem” o X), essa letrinha tem sido utilizada no lugar do @ para quebrar esse “binarismo” de “ou é homem, ou é mulher” mesmo que seja um indivíduo do sexo masculino que se veja encaixado no gênero feminino, ou vice-versa.

Binarismo se refere a “duas” coisas que se opõem uma à outra. A necessidade de quebrar o binarismo vem da necessidade de não mais encaixar as coisas e os comportamentos como exclusivamente masculinos ou femininos, mas aceitar que pessoas diferentes agem, enxergam o mundo e se comportam de formas diferentes e não cabe a nós julgar ou querer encaixá-las em grupos aos quais elas não se identificam. Lembra quando começou toda uma campanha anti rótulos, que ninguém queria ser chamado de “funkeiro” só porque ouvia funk, “emo” só porque usava lápis preto no olho, “gótico” só porque gostava de se vestir todo de preto? É algo muito parecido que está acontecendo quando usamos o x aqui. Uma pessoa que nasceu biologicamente como “homem” (ou “macho” pra quem preferir este termo) pode usar vestido e ainda assim se sentir sexualmente atraído por “mulheres” (ou “fêmeas”). Não existe mais a simples divisão de homens e mulheres na sociedade. Temos travestis, temos homens e mulheres trans… E quando eu falo dessas pessoas, não estou falando da orientação sexual delas (orientação sexual tem a ver com ser assexual, homossexual, bissexual ou heterossexual), mas ser trans não faz da pessoa homossexual, como muitos pensam. E ao usar o x eu também incluo essas pessoas em meu discurso.

Mas e a gramática?

Se pensarmos em outros idiomas, como o inglês e o japonês, em suas gramáticas o gênero das palavras é indefinido. Por exemplo, se eu falo “my friend“, não há como saber se estou falando de uma mulher ou de um homem, é impossível traduzir esta frase corretamente para o português, porque nossa língua não tem um pronome possessivo neutro (ou é “meu” ou é “minha“, não há meio termo). Para ficar claro, em inglês, se é um homem ou uma mulher a quem estou me referindo, preciso de mais elementos nessa frase, preciso falar “she is my friend” (ela é minha amiga), “my friend John” (meu amigo João) ou “my girl friend” (minha amiga mulher). O mesmo no japonês: 私の友達 (watashi no tomodachi – meu/minha amigo/a), a frase não tem marca de gênero, é impossível saber se é uma mulher ou um homem aqui, para saber preciso de mais elementos, como: アイメーちゃんは私の友達 (Aime-Chan wa watashi no tomodachi – Aime é minha amiga) ou この女は私の友達 (kono onna wa watashi no tomodachi – aquela mulher é minha amiga). O Grego tinha o artigo neutro/indefinido, o espanhol tem, mas é pouco usado, mas o português não tem e, talvez, o uso do x venha para chamar a atenção de todos da possível necessidade de adotarmos algo que represente esse “neutro”, pelo menos para discursos formais, ou para nos dirigir a grupos mistos de pessoas. Afinal de contas, é justo que hajam 10 mulheres e apenas 1 homem na platéia e, mesmo assim, termos que usar o masculino, só porque a gramática diz que é assim? É exagero pensar que essa regra nasceu de um pensamento machista? Quando uma blogueira fala: “olá meninAs” e um menino está lendo/assistindo, muitas vezes ele se sente ofendido e/ou excluído do público. Mas quando falamos: “olá a todOs“, as meninas não podem se sentir ofendidas, afinal de contas, segundo a gramática do português, é assim que tem que ser… Mas… Por quê? O que vocês acham?


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Postado por Aime Reis

Também conhecida como: Klaryan. Tem vinte e alguns anos e é blogueira há 15, dona do Klaryan.com, mora sozinha, já morou em Portugal e ama escrever! Formada em Letras português/japonês/espanhol, sonha em ser poliglota, mas sempre esquece as palavras que estão na ponta da língua. Ama compartilhar aquilo que sabe e aprender sobre o que não sabe, pra compartilhar também...