04 de set de 2015

Para o novo amor do meu amor

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Espero que a essa altura você já saiba que ela detesta balada e que música alta e gente aglomerada não combinam com o seu ideal de diversão. Ela vai amar se você levá-la ao cinema para ver alguma comédia romântica bobinha, eu sempre achei esses filmes um porre e por isso quase não a levava, mas sei que ela ficava imaginando como seria viver um amor daqueles. Seja esse amor pra ela.

Não deixe pra se arrepender depois, ela não costuma dar segundas chances. Prepare um jantar romântico e busque-a de surpresa no trabalho, não importa se você sabe ou não cozinhar pois te garanto que ela vai falar que estava ótimo ainda que seja só pela companhia. O macarrão dela é horrível, mesmo assim ela insiste em tentar uma nova receita todo domingo. Procure não fazer careta na hora de engolir, ela vai perceber e vai rir do seu esforço. Quando ela desistir de comer o tal macarrão, convide-a para almoçar naquela cantina da rua dela. Faça de tudo para deixá-la feliz, faça tudo o que eu não fiz.

Não esquece que ela odeia café doce. Quando estávamos juntos eu era acordado todo dia com o cheirinho do café no fogo. E ela dizia que nenhum café supera o dela porque o dela tem amor. E tinha mesmo. Transbordava amor de dentro dela. Ela é intensa e talvez por isso prefira café amargo. Com ela é tudo ou nada, oito ou oitenta. Era isso que mais me atraía.

Eu deixei ela ir e meu Deus, como eu me arrependo. Cuida dela cara, cuida bem, porque ela tem esse jeito de mulher independente – que até assusta um pouco – e vai te falar o tempo todo que não precisa de ninguém, nem mesmo de você. E ela não precisa mesmo, pois aprendeu a se bastar depois de tantos pontapés e tombos que a vida lhe deu. Mas saiba que no fundo ela é uma menina-mulher louca por um colo e um cafuné. Ela se faz de forte, mas desaba o tempo inteiro com qualquer filminho de amor ou buquê de flores. Ela ama ser mimada mesmo que não admita, e também ama surpresas mesmo que ela negue. Ela é toda às avessas, diz o que odeia e ama o que não diz. Ela gosta desse enigma que as palavras podem criar. Na verdade ela é um enigma, e adora isso.

Desvende-a, porque ela quer alguém que prove que a conhece melhor do que qualquer outra pessoa no mundo. Eu até a conhecia, mas não fui capaz de provar isso. Então vai lá, protege ela por mim, beija ela por mim, abraça ela por mim, dê o mundo pra ela e prova que você tem todo o amor que ela precisa. E, por favor, seja muito melhor do que eu fui.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!
01 de jun de 2015

Sobre amor, café e bom dia

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Imagem retirada do site pixabay

Olho o celular e observo a noite passar. O coração aperta, sufoca. Suspiro. Já passam das três da madrugada e sua última visualização foi às onze da noite. Digito seu número, apago, digito, apago. Angustia. Sento na cama, acendo a luz, encaro o vazio e escuto sua voz.

Aprendi cedo que relação é como a areia, se não tomar cuidado ela escapa entre nossos dedos. A separação repentina dos meus pais me gerou incerteza com finais felizes. Cresci odiando a Disney, lá pelos meus onze anos jurei que nunca, n-u-n-q-u-i-n-h-a, deixaria um desses príncipes encantados metidos a galã de novela roubar meu coração. Amar era verbo não conjugado no meu vocabulário, era proibido. Mas o problema é que você nunca gostou de seguir regras.

Existem coisas na vida das quais a gente não pode fugir: Quando é pra ser, é. E a gente foi sendo sem que eu conseguisse impedir. Cê apareceu aqui numa quarta-feira chuvosa com um livro de autoajuda reclamando do meu stress na aula de química e eu não conseguia parar de rir com a sua cara de pau. Te ofereci um café, porque era tudo que eu podia te dar, você me ofereceu a sua companhia, e não havia oferta melhor. Depois de um tempo ficou impossível não perceber o que estava acontecendo. Eu esbravejava pela casa cada vez que me pegava pensando em você, e depois sorria feito besta deixando o pensamento voltar a te encontrar nos meus devaneios. E, pela primeira vez em uma década, finais felizes não eram tão incertos assim.

Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos…. Levanto, esquento um café. Respiro fundo. Mas amar não é tão fácil assim. Pego o telefone, ensaio uma ligação “Oi, tudo bem? Eu sei que a gente brigou e que eu falei um monte de coisa sem noção e pedi pra você ir embora pra sempre, mas, bem, eu não quero que você vá, porque eu te amo. Te amo pra caramba. E tudo bem brigar de vez em quando, todo casal briga, não é? Todo casal tem seus momentos ruins, seus dias de cão e gato. Foi besteira, stress acumulado, nada que a gente não resolva conversando. Conversar é sempre a melhor saída, lembra?”, mas sempre acabo desistindo.

Muita gente fala de amor, tá jogado internet à fora bem mais do que dez passos sobre como melhorar seu relacionamento, ou como salvar sua relação. Acho engraçada essa mania que algumas pessoas têm de listar tudo o que precisam fazer, é tanta enrolação e complicação só pra fugir do óbvio. Namoro requer apertos, ajustes, cuidado, paciência. É igual uma casa nova, quando você acaba de comprar ela tá novinha e você não consegue enxergar as imperfeições, mas quanto mais velha ela fica, maiores são as rachaduras. Aí cê reforma, pinta aqui, pinta ali, troca o piso e ela tá ok de novo. Namorar é igual viver em uma casa velha: não importa quantas goteiras apareçam, se mudar dela é pior que se molhar. Por isso eu prefiro ficar encharcada.

Volto pro quarto, ligo a televisão. Já está na hora de acordar e eu ainda não dormi e nem você apareceu. Desisto. Amar também é dar o braço a torcer, não é? Digito uma mensagem:

— Amor, podemos parar agora? Será que dá pra checar as mensagens no celular? E bom dia.
— Bom dia, já paramos. Te amo, bravinha.

Agora sim, até mais tarde.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!