10 de ago de 2015

Pai…

Você já parou para procurar no dicionário o significado da palavra “pai”? Sinceramente, nenhum deles me agradou… No Aurelião, pai é aquele que gera e/ou que supre e cuida, mas numa dessas minhas andanças pelo Facebook, achei uma definição mil vezes melhor: pai é o primeiro super herói de um filho e o primeiro amor de uma filha.

Infelizmente, vivemos em um mundo, onde um pai presente é a exceção da exceção… Onde mães solteiras são quase sempre mulheres que ficam grávidas e são abandonadas pelos parceiros, obrigadas a carregar um filho sem pai e julgadas por toda a sociedade, são “irresponsáveis”. Mas um pai solteiro é comumente um homem que perdeu a esposa para a morte e teve que cuidar dos filhos e são “verdadeiros vencedores”. Ser pai é levar dinheiro para casa e não deixar faltar comida para os filhos. Se o pai é ausente por conta do trabalho ele está agindo corretamente, mas a mãe não tem esse direito. Uma mãe que trabalha demais é negligente.

Nesse dia dos pais, estive pensando muito no papel do meu pai na minha vida e no papel do pai para a sociedade. Meu pai não é perfeito, mas faz parte daquela pequena parcela que nunca me abandonou e sempre me tratou com carinho e amor. Tive sorte. Hoje não há mais aquela auto-censura de uns 10 anos atrás que nos impedia de falar mal de nossos familiares, por mais infelizes que eles nos façam. Por isso, vi inúmeras pessoas no meu feed falando mal de seus “pais” (ou melhor, do homem com o qual eles dividem parte do DNA), alguns sequer chegaram a conhecê-los. Conheceram apenas o abandono. Houveram também muitos que elogiaram as “mães que também são pais“, pois não encontravam uma figura paterna em nenhum homem que tenha passado por suas vidas. Enquanto no dia das mães, haviam milhares homenagens maravilhosas invadindo meu feed, no dia dos pais as homenagens foram pouquíssimas e os posts de insatisfação com a figura paterna foram muitos! Sem contar que muitos filhos de pais separados sabem que, quando é dia de ir ficar com o pai, na verdade fica-se é com a avó.

Deixando um pouco de lado os pais ausentes – e talvez buscando uma forma de evitar que isso continue acontecendo por mais anos e anos – eu queria aproveitar esse post para homenagear aqueles homens que se encaixam na definição de pai: super herói do filho e primeiro amor da filha. E dizer que ainda há um longo caminho a se percorrer para que os pais possam ser cada vez mais pais.

Você já reparou que o fraldário é quase sempre anexado ao sanitário feminino? Enquanto no sanitário masculino nunca há um espaço para os pais que precisam cuidar de seus filhos? Vocês já pararam para pensar em como é difícil um pai de menina levá-la ao banheiro em locais públicos (como entrar no banheiro masculino, onde os urinóis são compartilhados?), enquanto não há problema algum para uma mãe entrar com seu filho menino em um banheiro feminino? A licença paternidade no Brasil, que é super curta (5 dias!), praticamente não existe, poucas empresas concedem ao empregado esse benefício, até porque muitos empregados sequer o conhecem!

Então, àqueles homens que buscam cumprir seu papel de pai, mesmo com todas as dificuldades, mesmo em uma sociedade machista, que sabem que “ajudar” a criar os filhos não basta para serem chamados de pai. Àqueles que estão ali porque realmente amam e não apenas por terem assinado a certidão de nascimento da criança. Àqueles que não abandonam, mesmo se a mãe de seus filhos não for a mulher que eles querem pro resto da vida ao seu lado. Àqueles que vão ás reuniões da escola, que levam para passear, que conversam sobre sexo, ensinam tanto a barbear, quanto a usar absorvente… Esses verdadeiros pais, sejam de sangue ou não, merecem todo o reconhecimento neste dia tão especial e em todos os outros dias do ano.

Porque ser pai é amar, ser pai é cuidar, ser pai é ensinar, dar exemplo e vencer as adversidades, preencher a agenda com o nome do filho e saber que o melhor presente é a presença.

Postado por Aime Reis

Também conhecida como: Klaryan. Tem vinte e alguns anos e é blogueira há 15, dona do Klaryan.com, mora sozinha, já morou em Portugal e ama escrever! Formada em Letras português/japonês/espanhol, sonha em ser poliglota, mas sempre esquece as palavras que estão na ponta da língua. Ama compartilhar aquilo que sabe e aprender sobre o que não sabe, pra compartilhar também...