25 de Maio de 2015

Trabalhando em um navio

Tô muito empolgada com este post pois hoje vamos ter a participação de uma amiga que eu adoro: A Mymy, que passou seis meses trabalhando à bordo de um navio e conhecendo lugares maravilhosos pela América do Sul e Europa! Por isso pedi que ela me fizesse um depoimento sobre essa experiência (que na minha opinião é I N C R Í V E L !) para que vocês tenham ideia de como podemos conhecer o mundo de diversas maneiras, inclusive trabalhando.

Oi gente! Eu sou a Mylenna, tenho 27 anos e sou casada com o Flavinho, mamãe da Olivia e não sei ainda se do Arthur ou da Elisa. A Ju me pediu pra contar pra vocês um pouquinho da minha experiência como tripulante, então aqui vai… Como gosto muito de viajar eu queria procurar alguma atividade que fosse remunerada e que fosse fora do Brasil.

Inicialmente  a ideia era entrar para um programa de Au Pair (basicamente seria ir pros EUA ficar um ano trabalhando como babá), então fui atrás de uma agência especializada e dei entrada no meu processo. Nesse meio tempo, minha irmã mais velha começou os processos seletivos pra trabalhar a bordo. Acabei me interessando pela oportunidade de conhecer mais lugares em um menor espaço de tempo e também pela possibilidade de juntar dinheiro, já que o salário era um pouco maior que o de babá.

Processo para embarcar

Quem cuida do processo seletivo para as companhias de navio são as agências especializadas, então você participa de uma entrevista inicial, na qual eles avaliam o seu perfil e o nível do seu inglês, a partir daí que eles te encaminham para as companhias em que você se enquadra melhor. Os pré-requisitos básicos são o inglês, quanto maior o nível, melhor a companhia pra qual você é encaminhado, e a experiência em alguma área relacionada a hotelaria. Eu tenho inglês e espanhol bons e como fiz uns bicos como garçonete numa balada, eles me encaminharam pra trabalhar no restaurante de uma companhia italiana que hoje nem existe mais. Conversando com as pessoas que estavam fazendo parte da seleção, fiquei sabendo que várias não tinham experiência em área nenhuma, então a própria agência sugeria cursos preparatórios voltados pra tripulante. Eu, como estava ansiosa pra embarcar logo entrei no processo seletivo de duas agências diferentes. Essa primeira queria me embarcar no restaurante, a segunda me sugeriu fazer um curso de bartender pra trabalhar no bar. Fiz o curso, e resolvi que a que me chamasse primeiro seria a empresa pela qual eu embarcaria.

Sendo aprovada nessa primeira entrevista (sim, tudo isso era só o começo!), você participa de uma nova entrevista com um representante direto da companhia do navio. Nessa entrevista eles fazem perguntas mais aprofundadas sobre suas habilidades específicas voltadas à área em que você vai trabalhar à bordo, fazem uma parte (se não toda) da entrevista em inglês para avaliar novamente sua capacidade de comunicação e entendimento do idioma porque TUDO à bordo é em inglês, desde os treinamentos lá no navio até mesmo a comunicação com os demais tripulantes, porque como a maior parte das companhias é internacional, tem gente de tudo quanto é lugar lá trabalhando. Só depois dessa entrevista que eles pedem os exames médicos e então te colocam de stand by pra aguardar a data e o local de embarque. Além disso, eles exigem que você tenha um certificado da Marinha de um curso de salvatagem (STCW), que custa um pouco caro, mas tem validade de 5 anos.

Os contratos variam de 6 a 8 meses e podem ser estendidos, tanto a pedido do tripulante como a pedido da companhia. Eu fiquei embarcada por 6 meses, mas saí antes de terminar o meu contrato porque a companhia que eu estava trabalhando não estava me pagando direito, e como o trabalho é muito pesado, eu comecei a ficar meio doida, hahaha. Calma, eu explico!

O Trabalho

Fui contratada pra uma posição que se chama “snack steward” ou “buffet attendant”, onde os tripulantes são encarregados em manter a ordem da linha de comida do buffet, repor os alimentos, limpar as mesas, tirar os pratos e levá-los para lavar. Enquanto o buffet não está em funcionamento, o que acontece é a limpeza do local e eles são bem exigentes quanto a isso, porque se a fiscalização encontrar qualquer coisa que seja considerada irregular, é problema para a companhia.

Eu trabalhava em média 11h por dia, divididos em 3 turnos. Uma vez por semana eu tinha um “day off’, que era o “dia” de folga. Na verdade não era um dia inteiro, eu trabalhava no primeiro turno, tinha o segundo livre e depois só voltava para trabalhar a noite. A remuneração varia de acordo com o seu cargo no navio, o meu não pagava tão bem (USD600 por mês) e eu raramente ganhava alguma gorjeta. Um assistente de garçon, por exemplo, além do salário fixo, ganha MUITA gorjeta, o que pode até duplicar o quanto ganha no mês. O trabalho é pesado. É tudo muito cheio de regras, atrasos não são tolerados, se você descumpre com as regras eles te dão uma advertência, e se você atingir a marca de 5 warnings, você é demitido.

Conhecendo o mundo

O navio viaja durante a noite e passa o dia parado no porto. Então é muito legal saber que você vai dormir na Argentina (por exemplo) e acordar no Uruguai. Cada dia é um porto diferente, mas às vezes pode acontecer do navio fazer um “overnight”, que é passar a noite em algum porto e só ir embora no final do dia seguinte. Ah, sim. Quando o navio está atracado, se você não estiver no seu horário de trabalho, você pode sair para conhecer o lugar, só não pode esquecer de voltar a tempo de trabalhar de novo.

Antes que você leia isso e desista da ideia de trabalhar em navio achando que não tem diversão, eu te digo: É MUITO LEGAL! É legal saber que dá pra conhecer um monte de lugares novos sem gastar dinheiro, você conhece gente do mundo todo, entra em contato com outras culturas, come comidas diferentes, etc. Eu fiz muita amizade com indianos, com indonésios, colombianos… Já conheceu alguém das Ilhas Maurício? Eu já! 

No navio tem áreas divididas entre área de tripulantes e área de passageiros. Na área dos tripulantes tem o refeitório, tem as cabines onde a gente mora durante o contrato, tem uma área aberta onde é permitido fumar, conversar, dormir, olhar o mar… E tem um lugar especial chamado de CREW BAR. O crew bar, como o nome diz, é o bar da tripulação e é onde ocorrem as festas exclusivas para os tripulantes. Olha… já fui em muita balada, em muita festa, mas as melhores da minha vida foram no crew bar do navio que trabalhei.

É bem difícil ficar longe de casa, de amigos por tanto tempo, mas ao mesmo tempo você conhece tanta gente legal e faz tanta coisa nova que acaba ficando mais fácil.

Ir agora!

Pra quem tem interesse nesse tipo de trabalho, eu sugiro que procure uma agência especializada (as mais conhecidas são a Infinity, a New Crew – que são as que eu fiz processo – a Valermar e a Portside). É necessário fazer um investimento antes de embarcar (cursos, exames médicos), mas se o navio faz essa temporada brasileira, uma parte desse valor é reembolsado. E se você for disciplinado e não sair que nem doido gastando e comprando tudo o que vir pela frente, dá até pra voltar com uma graninha legal pra casa.

Ah, pra animar vocês mais um pouco, olhem só essas fotos! 😉

Trabalhando no navio

Ai meu Deus! Olha essa primeira foto, as festas no Crew Bar eram muito animadas! E que uniforme mais fofo é esse de gravatinha borboleta?

Gibraltar

Em Gibraltar…

punta del este

Em Punta Del Leste…

Roma

Em Roma!

É basicamente isso! Espero ter encorajado vocês a viverem essa experiência doida porém incrível! Se alguém tiver alguma dúvida, pode deixar aí nos comentários, vou adorar responder as perguntinhas! 🙂


Espero que tenham gostado do post. Agradecimentos mil para a Mymy que se dividiu entre filhinha, marido, barriga e cachorro para nos contar sobre essa experiência aqui no CDB!

*Eu juro que estou morrendo de vontade de embarcar no primeiro navio que eu ver pela frente.*

Beijo! :*