04 de nov de 2015

Eu não sou esse tipo

Você achou que eu choraria por um mês ou mais e que nesse período eu te escreveria diversos textos de amor e mensagens implorando a sua volta. Esperava que eu deletasse do computador as fotos e as músicas que você transformou em nossas, que eu apagasse seu número e te bloqueasse das redes socais. Antes de ir, você questionou o quanto eu te xingaria para as minhas amigas, se os meus amigos te detestariam daqui em diante e se eu iria falar mal de você por aí. Você se perguntou se eu devoraria potes e mais potes de sorvete nas noites em que tua ausência fosse insuportável, se indagou, também, quantas vezes por dia eu ia te ligar, quantos chamados você teria de ignorar até que eu desistisse de ir atrás. Você achou que eu não aguentaria o tranco de um pé na bunda, mas rapaz, sinto muito, eu não sou esse tipo de garota.
Doeu, claro, mas mais pela raiva do que pelo fora, chorei por ter esperado muito de quem não tinha nada para dar. Entrei de luto, só que foi por mim, foi pelo meu orgulho ferido, foi por ter dado meu coração sem pedir garantia, foi por ter desejado que desse certo. Foi por ter deixado meu amor próprio morrer no meio da nossa história. Já tava escrito: não tínhamos como ser, não tínhamos o que ser. Me escondi em casa por vergonha de ter deixado um cara como você me conquistar tão fácil, me levou na lábia e eu acreditei que, apesar de tudo, podia ser você. Cabelo arrumado, cheiro marcante, olhar forte, abdômen sarado e barba mal feita, parece protótipo de um cara qualquer, e é. Você é comum, amor, e gente comum não marca. Sinto te decepcionar. Era o cara perfeito para desfilar de mãos dadas, mas não me acrescentava. Pena que eu só fui perceber isso quando tua falta não me fez falta.
Seu ego inflado não te permite ver que, diferente de você, eu nunca precisei postar foto na balada para provar minha felicidade, to aqui, quietinha, no meu canto, repensando os próximos passos, analisando os próximos caras, curtindo a minha nova solteirice na esteira da academia. To bem, to inteira, engoli algumas lágrimas e fiquei um pouco mais salgada, dor de cotovelo não mata, salva. Não faço o tipo que se entrega pra dor, você já devia saber, aproveitei a rejeição e me refiz em uma nova mulher, tava precisando disso, nada como um patético “não é você, sou eu” para a gente ver que a culpa era dele mesmo, tua despedida abriu espaço pra volta do meu amor próprio, só posso te agradecer por isso.
Agora para de exclamar por aí que to borrando o meu rímel porque cê’ resolveu parar de andar ao meu lado, esse personagem cabisbaixo não me veste, rezo todo dia “livrai-me de tudo que me atrasa e me retém.” você só adiantou o trabalho dEle. Amém.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!


  • Jessica Paiva

    Em 04.11.2015

    Encontrei o blog por acaso e pirei no teu texto. Parabéns!!

    Responder

  • Jessica Paiva

    Em 04.11.2015

    Encontrei o blog por acaso e simplesmente pirei no teu texto. Parabéns!

    Responder

  • Ohara

    Em 04.11.2015

    Nossa! não acredito que o texto ja chegou a mais de 3000 views.
    Só vim dizer que o texto ficou lindo.
    E que teu blog e canal são maravilindótimos.
    E que adoro seus textos.
    E que adorei o texto que vc postou no seu blog, o nova perspectiva esses dias, “começo, meio e o nosso fim”, lembra? adorei mesmo. e quando puder
    favoritarei. Beijos GAbi, até a próxima.

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