19 de fev de 2015

Minha ficção de amor

Créditos: Unsplash

Créditos: Unsplash

É engraçado quando ouvimos uma música e sem querer acabamos mergulhando no universo dela e tiramos todos os pedaços para comparar com nossa vida. Sou movida à acordes. Suspiro por melodias. Me emociono com letras. Não tenho a “minha música”. Tenho uma playlist inteira, que de refrão em refrão vai contando quem eu fui, sou e o que vivi.

No player está tocando Leoni, e a música nunca fez tanto sentido quanto agora. Você foi sim, minha maior ficção de amor. Daquelas que a gente entra de cabeça de tal forma que chega a acreditar que é real. Talvez eu tenha mesmo te reinventado e adaptado suas manias ao meu mundo louco para que eu me encontrasse feliz. No fim das contas, você realmente não era nada do que eu pensava. O cara romântico, tímido, que falava baixo em frente a câmera que sentia saudade de mim nem era tão romântico assim, afinal. Era só um cara independente que acha ser mais forte que o mundo.

Pela primeira vez me vi em uma comédia romântica. Dessas que todos aplaudem e torcem pelo final feliz dos mocinhos. Cheia de cenas engraçadas. E de cenas fofas em que a química fica evidente. Cheia de beijos e abraços. De frases que só faziam sentido quando éramos nós que falávamos. Acredite ou não, nossa história daria um bom filme. Pelo menos está rendendo algumas (muitas) linhas. Você está sendo desenhado pedaço por pedaço para ser emoldurado na parede. Embora isso sempre tenha sido um mérito seu.

Eu assisti a partida daquele que jurava ser meu. Minha ficção toda não passou de filme de domingo que você luta pra terminar porque não tem mais nada pra fazer. Romance a um não dá. Você deveria ter avisado desde o começo para que eu pudesse virar as costas naquele primeiro dia e te largar na plataforma pensando o quanto tudo foi patético. De como você deveria ter previsto que tudo aquilo ia ser a maior furada da sua vida e só mais uma história pra contar na mesa daquele bar de Jazz que você adora ir com os amigos pra descontrair.

E quer saber do que mais? Você ia acabar rindo da tarde. Quem sabe me procurar no dia seguinte e me chamar para outro café, só pra comentar como minha atitude chamou sua atenção e fez você se encantar.

Tá vendo como eu sou, meu bem? Já estou fantasiando outra vez. Já criei mil cenas em que você acabaria me beijando no final. O problema é que sou toda ficção. E nessa mente fantasiam histórias, diálogos e situações que nunca aconteceram muito menos acontecerão. Transcendem a barreira dos meus personagens e chega até você e eu.

Postado por Daiany Gomes

21 anos, paulista e formada em marketing. Aos 9 escreveu uma peça de teatro sem nenhuma pretensão. De lá pra cá, nunca mais parou. Atriz de alma, escritora por paixão e ruiva de farmácia. Dona mais que orgulhosa do blog Bilhete da Garrafa. De vez em sempre, brinca com as palavras por aí.


  • Paula Santos

    Em 19.02.2015

    Me identifiquei , lindo texto , mulher é desse jeito mesmo tem mil e duas cenas na cabeça sobre nossa ficção de amor onde sempre acaba com um beijo no final !!!

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  • Daiany Gomes

    fevereiro 19th, 2015

    @Paula Santos, HAHAHAAHHA e não adianta colocar na cabeça que não é assim!

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  • Ohara

    Em 19.02.2015

    Me identifiquei para caramba com esse texto..e mulher é desse jeito, tem umas 100000 senas e nunca consegue descobrir sua “fixão de amor” nunca
    encontra..rsrsrs.
    E sim.o pior é que eu tenho sim.uma musica que me “teletransporta”, logo nos primeiros acordes acho que eu saio do mundo, mergulho na melodia,
    ritmo e letra da musica e fico la, tentando compara-la aminha vida.
    Quer saber qual é? video da musica abaixo..passaros, Claudia Leitte
    https://www.youtube.com/watch?v=pauh_Y7WUcM
    ta ae o video da musica, escute-a e talvez tenha a mesma sensação que eu&bjos!

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  • Daiany Gomes

    Em 19.02.2015

    @Ohara, essa música é linda! Me sinto uma paz imensa a escutando também *o*

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