01 de jun de 2015

Sobre amor, café e bom dia

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Imagem retirada do site pixabay

Olho o celular e observo a noite passar. O coração aperta, sufoca. Suspiro. Já passam das três da madrugada e sua última visualização foi às onze da noite. Digito seu número, apago, digito, apago. Angustia. Sento na cama, acendo a luz, encaro o vazio e escuto sua voz.

Aprendi cedo que relação é como a areia, se não tomar cuidado ela escapa entre nossos dedos. A separação repentina dos meus pais me gerou incerteza com finais felizes. Cresci odiando a Disney, lá pelos meus onze anos jurei que nunca, n-u-n-q-u-i-n-h-a, deixaria um desses príncipes encantados metidos a galã de novela roubar meu coração. Amar era verbo não conjugado no meu vocabulário, era proibido. Mas o problema é que você nunca gostou de seguir regras.

Existem coisas na vida das quais a gente não pode fugir: Quando é pra ser, é. E a gente foi sendo sem que eu conseguisse impedir. Cê apareceu aqui numa quarta-feira chuvosa com um livro de autoajuda reclamando do meu stress na aula de química e eu não conseguia parar de rir com a sua cara de pau. Te ofereci um café, porque era tudo que eu podia te dar, você me ofereceu a sua companhia, e não havia oferta melhor. Depois de um tempo ficou impossível não perceber o que estava acontecendo. Eu esbravejava pela casa cada vez que me pegava pensando em você, e depois sorria feito besta deixando o pensamento voltar a te encontrar nos meus devaneios. E, pela primeira vez em uma década, finais felizes não eram tão incertos assim.

Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos…. Levanto, esquento um café. Respiro fundo. Mas amar não é tão fácil assim. Pego o telefone, ensaio uma ligação “Oi, tudo bem? Eu sei que a gente brigou e que eu falei um monte de coisa sem noção e pedi pra você ir embora pra sempre, mas, bem, eu não quero que você vá, porque eu te amo. Te amo pra caramba. E tudo bem brigar de vez em quando, todo casal briga, não é? Todo casal tem seus momentos ruins, seus dias de cão e gato. Foi besteira, stress acumulado, nada que a gente não resolva conversando. Conversar é sempre a melhor saída, lembra?”, mas sempre acabo desistindo.

Muita gente fala de amor, tá jogado internet à fora bem mais do que dez passos sobre como melhorar seu relacionamento, ou como salvar sua relação. Acho engraçada essa mania que algumas pessoas têm de listar tudo o que precisam fazer, é tanta enrolação e complicação só pra fugir do óbvio. Namoro requer apertos, ajustes, cuidado, paciência. É igual uma casa nova, quando você acaba de comprar ela tá novinha e você não consegue enxergar as imperfeições, mas quanto mais velha ela fica, maiores são as rachaduras. Aí cê reforma, pinta aqui, pinta ali, troca o piso e ela tá ok de novo. Namorar é igual viver em uma casa velha: não importa quantas goteiras apareçam, se mudar dela é pior que se molhar. Por isso eu prefiro ficar encharcada.

Volto pro quarto, ligo a televisão. Já está na hora de acordar e eu ainda não dormi e nem você apareceu. Desisto. Amar também é dar o braço a torcer, não é? Digito uma mensagem:

— Amor, podemos parar agora? Será que dá pra checar as mensagens no celular? E bom dia.
— Bom dia, já paramos. Te amo, bravinha.

Agora sim, até mais tarde.

Postado por Gabriela Freitas

Eu? Uma mistura de tudo que eu escrevo. Coração, alma e um pouco de corpo. Gabriela Freitas, sou paulistana direto da cidade da garoa, escritora, dona do blog Nova perspectiva e quando sobra tempo estudante de jornalismo. Insegura, dramática e um tanto áspera. Personalidade forte, meio agridoce, sabe?!


  • natalia borges

    Em 01.06.2015

    Adorei o post,e é isso ai mesmo, essa maré toda né. Mas nada como um dia após o outro. Beijos :*

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  • Ohara

    Em 01.06.2015

    belo texto! bjos

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